quarta-feira, 16 de março de 2011

A ESCULTURA CONTEMPORÂNEA


Beam Drop (Soltar feixes) Inhotim (2008) é uma escultura em grande formato, localizada no alto
de uma montanha, feita de 71 vigas de construção jogadas por um guindaste
de uma altura de 45 metros, dentro de uma vala cheia de cimento fresco,
durante um período de 12 horas. O padrão aleatório das vigas caídas formou
a obra, numa interpretação da gestualidade do expressionismo abstrato, ao
mesmo tempo propondo uma desconstrução da escultura moderna. Esta peça
é a recriação, em formato maior, de um trabalho originalmente instalado em
1984, no Art Park, no Estado de Nova York, e destruído em 1987.

A ESCULTURA CLÁSSICA


A ESCULTURA
A escultura clássica é uma criação em terceira dimensão, a partir de materiais como mármore, gesso e bronze, trabalhando preferencialmente a anatomia humana, a partir da subjetividade do artista. Já a escultura contemporânea utiliza os mais diversos materiais: madeira, plástico, ferro, aço. Não há limites para ela. Nem na utilização da matéria-prima nem nas temáticas que são exploradas.

A Vênus de Milo é uma famosa estátua grega. Ela representa a deusa grega Afrodite, símbolo do amor, da sexualidade e da beleza física. É uma escultura em mármore, com 2.03 cm de altura, que data de cerca de 130 A.C. e que se pensa ser obra de Alexandros de Antióquia.

VIDEOARTE INSTALAÇÃO

terça-feira, 15 de março de 2011

ARTES VISUAIS II A INSTALAÇÃO


Exemplo de instalação

Death Row - Ivan Navarro na Bienal de Veneza


Um dos destaques da 53ª edição da Bienal de Veneza, realizada em 2009, é a instalação "Death Row” (Corredor da Morte), do artista chileno Ivan Navarro.

Para o pavilhão do Chile, Ivan criou 30 portas de aluminío, cada uma com uma cor de neon. O efeito é incrível.


A Instalação é um fazer artístico dos mais relevantes no panorama das artes no século XX e início do XXI. Embora já bastante discutida, conta ainda com frágil definição e com muitos pontos a serem pesquisados de forma incisiva.
Como boa parte da produção artística contemporânea, a Instalação não permite rotulação única, por seu princípio experimental. O conceito, a intenção do artista ao formular seu trabalho é em grande parte a essência da própria obra, na medida em que a instalação emerge no contexto da Arte Conceitual.

A Instalação, enquanto poética artística, permite uma grande possibilidade de suportes, e em sua realização pode integrar recursos de multimeios, por exemplo, videoarte, caracterizando-se em uma videoinstalação Esta abertura de formatos e meios faz com que esta modalidade se situe de forma totalmente confortável na produção artística contemporânea, já que a Arte Contemporânea tem como característica o questionamento do próprio espaço e do tempo.

A obra contemporânea é volátil, efêmera, absorve e constrói o espaço a sua volta, ao mesmo tempo, que o desconstrói. A desconstrução de espaços, de conceitos e idéias está dentro da práxis artística da qual a Instalação se apropria para se afirmar enquanto obra.

Essencialmente, é a construção de uma verdade espacial em lugar e tempo determinado. É passageira, é presença efêmera que se materializa de forma definitiva apenas na memória. O sentido de tempo, no caso da fruição estética da Instalação é o não-tempo, onde esta fruição se dá de forma imediata ao apreciar a obra in loco, mas permanece em sua fruição plena como recordação.

Essa questão do tempo é crucial na Instalação, fazendo com que a mesma seja um espelho de seu próprio tempo, questionando assim o homem desse tempo e sua interação com a própria obra. Nesta condição podem-se indicar algumas características próprias das instalações da década de 70.

Na década de sessenta os artistas passaram a questionar os suportes tradicionais da arte e fazer trabalhos que mais tarde ficaram conhecidos como Instalações, por exemplo a Arte Ambiental de Hélio Oiticica. Estes trabalhos tinham em comum a apropriação de espaços e o questionamento da arte em suas modalidades convencionais, pintura e escultura, apoiando-se na Arte Conceitual e nos meios anartísticos.

A permanência da Instalação é um fenômeno destacável na Arte Contemporânea, sendo uma das mais importantes tendências atuais. A instalação, na Contemporaneidade tornou-se mais complexa e multimidial, enfatizando a espetacularidade e a interatividade com o público. As combinações com várias linguagens como vídeos, filmes, esculturas, performances, computação gráfica e o universo virtual, fazem com que o público se surpreenda e participe da obra de forma mais ativa, pois ele é o objeto último da própria obra, sem a presença do qual a mesma não existiria em sua plenitude.

Esta participação ativa em relação à obra faz com que a fruição da mesma se dê de forma plena e arrebatadora, o que em muitos casos pode até mesmo tornar esta experiência incômoda e perturbadora.

A necessidade de mexer com os sentidos do público, de instigá-lo, quase obrigá-lo, a experimentar sensações, sejam agradáveis ou incômodas, faz da Instalação um espelho de nosso tempo. Pode-se dizer de fato que a Instalação é uma obra epocal, a qual só faz sentido se vista e analisada em seu tempo-espaço.

Na Coleção do MAC USP, as características das Instalações da década de 70, tais como a ênfase às questões conceituais e perceptivas, e a neutralidade marcadas pelo racionalismo da Arte Conceitual são observadas nos trabalhos de Chihiro Shimotani, Kuniichi Shima, Ione Saldanha e Carlos Alberto Fajardo.
Luciana Bosco e Silva [mestranda]
Daisy Peccinini [coordenadora]
MAC (Museu de Arte Contemporânea)
USP

Programação 2011

LINGUAGENS DA ARTE- Jaime Leitão
1º semestre de 2011
Artes visuais-I

Pintura

Conceito geral
A pintura em linhas gerais é a técnica de aplicar pigmento em forma líquida a uma superfície, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e texturas os mais variados.
Em um sentido mais específico, é a arte de pintar uma superfície, utilizando os mais diversos suportes: papel, tela , madeira ou uma parede(pintura mural ou afrescos). A pintura a óleo é considerada por especialistas a mais tradicional e a mais duradoura . A maior parte das obras de arte mais importantes do mundo, que sobrevivem já há sédculos , como a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, ou Festa Camponesa, de Pieter Bruegel, sãopinturas a óleo.
Além do óleo, a tinta acrílica, considerada menos tóxica, é bastante utilizada nos dias de hoje. Com a variedade de experiências entre diferentes meios e o uso da tecnologia digital, expande-se a ideia de que a pintura não precisa se limitar à aplicação do "pigmento em forma líquida". Atualmente , o conceito de pintura pode ser ampliado para a representação visual através das cores. Mesmo assim, a definição tradicional de pintura ainda permanece pela tradição que ela carrega.
É importante ressaltar que a técnica é só um ponto de partida. O que prevalece em uma pintura é o talento do artista, a sua capacidade de criar, de interpretar cenas, rostos, emoções, transformando-os em obras de arte e utilizando para isso a sua capacidade inventiva.
Na pintura, a linguagem não –verbal expressa-se de forma densa e ao mesmo tempo sintética, explorando a narrativa, a descrição , a subjetividade e a transcendência.

A TELA

Jaime Leitão



O que uma tela revela?
O que uma tela esconde?
Guernica de Picasso revela a guerra,
A morte
As atrocidades
A barbárie.
E também a indignação
Daqueles que não perderam
A dimensão do humano
Da poesia
E da arte.
Diante dos nossos olhos
A pintura se move
Na mais variadas direções .
Nós, diante da tela,
Somos mais que espectadores,
Somos narradores
E personagens
De uma história
Que tem cor
Luz
E um enredo
Que se desdobra
Em muitas outras telas
Que pintamos na imaginação.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A LINGUAGEM DA MÚSICA

A música faz contraponto com o silêncio. Ela coloca cores sonoras no vazio descolorido e sem vida. Música é ritmo, melodia, som, vibração, emoção,ela tem o poder de nos envolver e de nos elevar a esferas inimagináveis.
A linguagem da música transcende as palavras, é como se a nossa voz interior se condessasse com os instrumentos e com as notas que expressam determinado estado de espírito.
Temos música dentro de nós. O nosso corpo é musical, pede ressonância, percussão. Podemos extrair e expressar a música que vive em nós em estado letárgico com a boca, as mãos, os pés e descobrir os sons mais primitivos que existem desde o início do mundo, sons que plasmaram o universo.

A música primitiva, utilizada para louvar os deuses e para pedir proteção para a plantação e para a caça, não nascia de uma criação consciente e ordenada, mas de uma necessidade de expressão emocional, que fluía e possuía a sua beleza, apesar de não ser elaborada.

MÚSICA MEDIEVAL
Durante muito tempo a música foi cultivada por transmissão oral, até que se inventou um sistema de escrita. Por volta do século IX apareceu, pela primeira vez, a pauta musical. O monge italiano Guido d’Arezzo (995 – 1050) sugeriu o uso de uma pauta de quatro linhas. O sistema é usado até hoje no canto gregoriano. A utilização do sistema silábico de dar nome às notas deve-se também ao monge Guido d’Arezzo e encontra-se num hino ao padroeiro dos músicos, São João Batista: Ut queant laxit / Ressonare fibris / Mira gestorum / Famuli tuorum / Solvi polluti / Labii reatum / Sancte Ioannes. Com o passar do tempo o Ut foi substituído pelo Dó. O tipo de música mais antigo que conhecemos consiste em uma única linha melódica cantada, sem qualquer acompanhamento. Este estilo é o chamado Cantochão ou Canto Gregoriano. Com o passar do tempo acrescentou-se outras vozes ao cantochão, criando-se as primeiras composições em estilo coral. Além do Cantochão, cantado nas igrejas, produziam-se na Idade Média muitas danças e canções. Durante os séculos XII e XIII houve intensa produção de obras em forma de canção, compostas pelos Trovadores, poetas e músicos do sul da França. As danças eram muito populares em festas e feiras e podiam ser tocadas tanto por dois instrumentos, como por um grupo mais numeroso. Os instrumentos que acompanhavam estas danças incluíam: a viela (antepassado da família do violino), o alaúde, flautas doces de vários tamanhos, gaitas de foles, o trompete recto medieval, instrumentos de percussão (triângulos, sinos, tambores, etc.). Principais Compositores Medievais: Perotin (séc. XII), Leonin (séc. XII), Guido d’Arezzo (995 – 1050), Philippe de Vitry (1290 – 1361), Guillaume de Machaut (1300 – 1377), John Dunstable (1385 – 1453).

MÚSICA CLÁSSICA

Música clássica ou música erudita é o nome dado à principal variedade de música produzida ou enraizada nas tradições da música secular e litúrgica ocidental, que abrange um período amplo que vai aproximadamente do século IX até o presente,[1] e segue cânones preestabelecidos no decorrer da história da música. As normas centrais desta tradição foram codificadas entre 1550 e 1900, intervalo de tempo conhecido como o período da prática comum.

Segundo o Dicionário Grove de Música, música erudita é música que é fruto da erudição e não das práticas folclóricas e populares. O termo é aplicado a toda uma variedade de músicas de diferentes culturas, e que é usado para indicar qualquer música que não pertença às tradições folclóricas ou populares.[2]

A música europeia distingue-se de outras formas de música, não-europeias ou populares, principalmente, por seu sistema de notação em partituras, em uso desde o século XVI.[3] O sistema ocidental de partituras é utilizado pelos compositores para prescrever, a quem executa a obra, a altura, a velocidade, a métrica, o ritmo e a exata maneira de se executar uma peça musical. Isto deixa menos espaço para práticas como a improvisação e a ornamentação ad libitum, que são ouvidas frequentemente em músicas não europeias (ver música clássica da Índia e música tradicional japonesa) e populares.[4][5] O gosto do público pela apreciação da música formal deste gênero vem entrando em declínio desde o fim do século XX, marcadamente nos países anglófonos.[6] Este período viu a música clássica ficar para trás do imenso sucesso comercial da música popular, embora o número de CDs vendidos não seja o único indicador da popularidade do gênero.[7] Oposto aos termos música popular, música folclórica ou música oriental, o termo "música clássica" abrange uma série de estilos musicais, desde intricadas técnicas composicionais (como a fuga)[8] até simples entretenimento (operetas).[9][10] O termo só apareceu originalmente no início do século XIX, numa tentativa de se "canonizar" o período que vai de Bach até Beethoven como uma era de ouro.[11] Na língua inglesa, a primeira referência ao termo foi registrada pelo Oxford English Dictionary, em cerca de 1836.[12][1] Hoje em dia, o termo "clássico" aplica-se aos dois usos: "música clássica" no sentido que alude à música escrita "modelar," "exemplar," ou seja, "de mais alta qualidade", e, stricto sensu, para se referir à música do classicismo, que abrange o final do século XVIII e parte do século XIX.[13]

Produção de texto:

1-Escreva um poema com base em uma música clássica ou um jazz.

2-Escreva umna narrativa em que o narrador-personagem conta como a música provocou uma mudança radical em sua vida.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A LINGUAGEM DO CINEMA

André Setaro
De Salvador (BA)


A maioria das pessoas que vai ao cinema recebe uma avalanche de imagens e não se encontra apta a identificá-la enquanto uma linguagem. O que interessa, apenas, é a história, a intriga, o desdobramento das situações - aquilo que se chama de "fábula". Assim, o espectador comum não percebe que o filme tem uma narrativa e é esta que, por assim dizer, "puxa" a fábula - isto é: a história. Por narrativa se entende a maneira pela qual o realizador cinematográfico manipula os elementos da linguagem fílmica. Ou seja: o conjunto das modalidades de língua e de estilo que caracterizam o discurso cinematográfico.

O que precisa ficar bem entendido é o seguinte: o que merece crédito na obra cinematográfica não é o que se "diz" no filme, mas, sim, "como"o filme diz. E este se expressa por meio de sua linguagem específica, assim como na literatura o escritor se expressa por um conjunto de palavras que formam frases, orações e períodos. A expressão daquele que escreve se dá através da sintaxe. E o cinema também tem uma sintaxe que se cristaliza pelo relacionamento dos planos, das cenas, das seqüências. Assim, os elementos básicos da linguagem cinematográfica, os chamados elementos determinantes, podem ser assim considerados: a planificação (os diversos tipos de planos - geral, de conjunto, americano, médio, "close up"...), os movimentos de câmera ("travelling", panorâmica, na mão...) e a angulação ("plongée", "contre-plongée"...). E a montagem, existindo também os elementos componentes, mas não determinantes (fotografia, intérpretes, cenografia...).

É necessário, para uma melhor compreensão de um filme, aprender a reconhecer a linguagem do cinema e a captar qualquer mínima manifestação sua. Importa mais estar atento ao comportamento que a câmera adota em relação a determinado personagem do que seguir o seu comportamento na tela. É mais importante a verificação dos sinais efetuados pela câmera referente ao personagem do que tentar entender o que este está a fazer no desenvolvimento da história. A câmera dificilmente renuncia a uma opinião sua, mesmo quando parece estar silenciosa e perfeitamente alheada. Os modos que dispõe para "qualificar" a realidade são múltiplos e nem sempre imediatamente compreensíveis. Para se ter uma obra recente como ilustração: em "Inimigos públicos", de Michael Mann, o que importante mais é a "mise-en-scène", a "maneira" pela qual este realizador conta a sua história, o modo de apresentá-la por meio da sintaxe cinematográfica.

Outro exemplo está em Frenesi (Frenzy, 1972), penúltimo filme de Alfred Hitchcock, um cineasta inventor de fórmulas, um artista da 'mise-en-scène', cujos significados muitas vezes emergem do comportamento da câmera e, por extensão, do uso que faz da linguagem cinematográfica. Assim, em Frenzy, o movimento aparentemente vagabundo da câmera tem a função de indicar a atitude moral assumida pelo autor - no caso o mestre Hitch - relativamente à matéria tratada. Numa cena dessa obra exponencial, uma mulher (Anna Massey, a namorada do falso culpado Jon Finch) é assassinada em seu apartamento pelo hóspede (Barry Foster, o estrangulador que o espectador já conhece) ocasional que ela própria convidara confiando na sua extrema simpatia.

A câmera acompanha os dois quando se dirigem ao prédio onde ela mora - o público já pressente o pior, pois ciente de que o homem é um assassino perigoso, mas, entrando neste, a máquina de filmar abandona os dois "à sua própria sorte", pois começa a recuar lentamente, sai do edifício e se detém apenas quando o exterior deste fica enquadrado num plano geral. Todo o movimento se procede através de um movimento de câmera chamado "travelling", a princípio "para frente" e, quando do recuo, "para trás". O grito da pobre moça é abafado pelos ruídos do bairro popular onde se localiza uma feira muito barulhenta. Que outra coisa pretende dizer Hitchcock com este "travelling em derrière" se não que o Mal está entre nós e que opera das maneiras mais insuspeitas? Trata-se, na verdade, de um caso em que a "metafísica" do autor recorre, para se manifestar, à "física" de uma óbvia escolha estilística.

Hitchcock procura também, com seu humor negro, "brincar" com o espectador, que sabe ser um sado-masoquista e adoraria, no caso, presenciar o estrangulamento da mulher pelo perverso homicida. A significação, por conseguinte, se faz pela linguagem, pelo "comportamento" da câmera em relação ao personagem. Se neste exemplo, a significação decorre de um movimento de câmera, em outro, desse mesmo filme, ela advém pela montagem na seqüência na qual o estrangulador procura, dentre muitos sacos cheios de batatas, aquele no qual se encontra o cadáver da mulher que matara no apartamento a fim de lhe tirar um broche de suas mãos, as quais, no momento da agonia, agarram o objeto. A manipulação de Hitch é tal que o espectador "torce" para que o brutal homicida encontre, tal a sua aflição - e a aflição provocada pela montagem, pela 'mise-en-scène', o broche que o denunciaria como criminoso.

Em O Açougueiro (Le Boucher, 1969), de Claude Chabrol - um discípulo de Hitchcock e autor, com Eric Rohmer, de um livro importante sobre o diretor de Vertigo -,há uma cena na qual o protagonista - um carniceiro que se sabe torturado pela mania homicida - confessa o seu afeto à ignara professora da aldeia - ele é Jean Yanne, ela, Stéphane Audran, naquela época companheira do diretor. A declaração tem lugar num bosque onde os dois se deslocaram para colher cogumelos. A atmosfera seria das mais tranqüilizantes, não fora passar-se - durante o colóquio entre ambos - algo que não pode deixar de alarmar o espectador atento. E esse algo não se refere ao comportamento das personagens - que continuam a dialogar num cenário idílico - mas, precisamente, ao comportamento da câmera. Esta última, quase inadvertidamente, começa a deslocar-se lateralmente até o primeiro plano de um tronco de árvore se interpor entre ela - a câmera - e o par, escondendo o homem cujas palavras, contudo, continua-se a ouvir. A vista é desimpedida com a saída do tronco do campo da visão, mas pouco depois desaparece novamente quando o movimento se repete em sentido contrário, conduzindo a câmera à posição inicial. Eis um caso em que um simples "travelling" se encarrega de denunciar ao espectador a atitude reticente da personagem, 'encobrindo-a' da vista no momento em que 'se revela' ao ouvido. Denúncia essa dirigida ao público e não, infelizmente, à desventurada professora, que se manterá por um bom pedaço na ignorância das verdadeiras intenções do carniceiro degolador.

André Setaro é crítico de cinema e professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba).




O PRIMEIRO FILME DO CINEMA
A SAÍDA DA FÁBRICA- 1895
Irmãos Lumière


Godard, o cineasta considerado por alguns críticos a própria linguagem do cinema.


Filme-ensaio de João Paulo Miranda, cineasta rio-clarense. O filme foi premiado em primeiro lugar em um fetival internacional de filmes feitos em celular.


O CINEMA DE ANIMAÇÃO
OS VIZINHOS, de Norman McLaren



PRODUÇÃO DE TEXTO:

1-Escreva uma narrativa que poderia, no seu entender, se transformar em um filme interessante.
2-Escreva uma crônica que tenha como tema o cinema na sua vida. Procure destacar alguns filmes que o marcaram.